quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Figuras de Linguagem - Figuras de Palavra II

Identificamos no post anterior as figuras de palavra decorrentes das relações de similaridade e comparação. Ainda nos faltam estudar duas delas.

A palavra contiguidade parece estranha até pra mim e dá vontade de usar o corretor automático para corrigir, mas é isso mesmo: contiguidade. Segundo o dicionário, é o estado daquilo que é contíguo, adjacente, próximo, semelhante, vizinho. Agora ficou mais fácil, né? Não? Ok, vamos aplicar a uma frase:
Odeio ter que ler Machado de Assis para não repetir na escola.
Provavelmente você não deve ter notado, mas há algo até engraçado na frase acima. Imagine Machado de Assis. Sim, aquele cara mulato barbudo com óculos das fotos. Agora o imagine com letras pelo corpo todo, totalmente escrito e alguém lendo sua pele. Uma situação no mínimo inusitada. Quem afirmou a frase não quis dizer isso exatamente, devia estar se referindo a obra de Machado, mas optou por substituir a obra pelo autor. Que tipo relação essas palavras possuem entre si? Similiridade? O autor e a obra têm características semelhantes? Acho que não. Comparação? Hm, muito menos. Associação? Ainda nem vimos isso! Só pode ser a tal da contiguidade. O autor e a obra possuem sentidos próximos, adjacentes, vizinhos, uma relação contígua, como se houvesse algo que ligasse as duas, uma interdependência entre elas. Quando isso ocorre, dizemos que se trata de uma metonímia.
6. METONÍMIA
Só para efeito de organização do post, vou repetir a definição de metonímia. É a figura de consiste na substituição de uma palavra por outra em razão de haver entre elas uma relação de interdependência, de contiguidade, de proximidade. São muitos os tipos que uma metonímia pode assumir, vamos exemplificar alguns.

  • "Senhora, partem tão tristes
    Meus olhos por vós, meu bem" (João Ruiz de Castelo Branco)
    Parte (olhos) pelo todo (pessoa que parte)
  • Ler Marx engrandece a alma do ser humano.
    Autor (Marx) pela obra (sua literatura)
  • Alguém tem uma gilete por aí?
    Marca (gilete-Gilette) pelo produto (lâmina de barbear)
  • Estou com uma vontade de tomar um copo de leite.
    Continente (copo) pelo conteúdo (leite)
  • Não fume dentro da minha casa, sou alérgica a cigarro.
    Causa (cigarro) pelo efeito (fumaça)
  • Seus cabelo brancos exigiam respeito.
    Efeito (cabelos brancos) pela causa (velhice)
  • Para de ser corinthiano!
    Abstrato (corinthiano) pelo concreto (burrice)
  • Não duvide do espírito de vingança dos mortais.
    Gênero (mortais) pela espécie (seres humanos)
  • A mulher foi chamada às ruas na luta por seus direitos.
    Singular (a mulher) pelo plural (as mulheres)
Ainda há:
  • Possuidor pelo possuído
  • Matéria pelo objeto
  • O lugar pelo produto dele
  • Instituição pelo que representa
  • O inventor pelo invento
  • A matéria pelo objeto
  • A forma pela matéria
  • Indivíduo pelas classes
  • Instrumento pela pessoa que utiliza
  • Símbolo pelo objeto simbolizado
  • Símbolo pela coisa simbolizada
    Ufa...
Não há mais distinção entre metonímia e SINÉDOQUE, havendo entre ambos relação de extensão. Por ser mais abrangente, o conceito de metonímia prevalece sobre o de sinédoque.
7. ANTONOMÁSIA
Não deixa de ser mais um tipo de metonímia. É a substituição de um nome próprio por um atributo conhecido. Por exemplo:
  • Filho de Deus (Jesus Cristo); Rainha do pop (Madonna); Rainha dos baixinhos (Xuxa); Poeta dos escravos (Castro Alves); Boca do Inferno (Gregório de Matos), etc.
Alguns autores costumam separar a antonomásia da PERÍFRASE. Caso haja distinção, a perífrase está relacionado a lugares, enquanto a antonomásia a pessoas e instituições. Por exemplo:
  • Rei do Futebol (Pelé); Porco (Sociedade Esportiva Palmeiras); Poeta da Vila (Noel Rosa) -->; Antonomásia
  • Cidade Maravilhosa (Rio de Janeiro); Terra da Garoa (São Paulo); País do Futebol (Brasil) -->; Perífrase
8. HIPÁLAGE
Tipo desdobrado da metonímia que consiste em atribuir a um ser ou coisa uma qualidade ou ação logicamente pertencente a outro ser. Eça de Queirós quando escreveu "“As tias faziam meias sonolentas.”, mesmo sonolentas estar se referindo sintaticamente a meias, semanticamente é uma atribuição das tias, elas que de fato estavam sonolentas. Exemplos:

Exemplos na literatura: 
  • "fumar um pensativo cigarro" (Eça de Quirós)
  • "Abria os olhos molhados de culposas lágrimas." (Camilo C. Branco)
Exemplos na não-literatura:
  • À meia noite, o lápis e a borracha mostravam sinais de cansaço.
  • Um enxame negro de gafanhotos rapidamente devastou a colheita..
9. FIGURAS DE ASSOCIAÇÃO
Podemos citar algumas figuras que possuem um relação de associação, como a ALUSÃO, a ALEGORIA e o SÍMBOLO ou EMBLEMA. Algumas possuem um caráter metafórico, mas o importante é que remetem a ideiais, conceitos, filosofias, qualidades, ações amplos num universo mais restrito. Todas consistem um exprimir uma ideia em outro plano, seja fazendo uma referência ou uma representação de algo. Exemplicar essas figuras é complicado, pois raramente se mostram em poucas palavras, geralmente são identificados como se a víssemos de cima. Parece vago? Pois está mesmo, se precisarem, dedico um post inteiro a essas figuras, mas imagino que por hora já está bom.

Obrigado por ler!
James Juice

sábado, 3 de dezembro de 2011

Figuras de Linguagem - Figuras de Palavras I

Comecemos nossos estudos sobre as figuras de linguagem com as de palavras.

As figuras de palavra consistem na substituição de uma palavra por outra em decorrência de algum tipo de relação que elas possuam. Podemos enumerar essas relações em quatro principais:
  1. Similaridade
  2. Comparação
  3. Contiguidade
  4. Associação
Começando do primeiro mesmo, a palavra similaridade vem, obviamente, de similar, ou seja qualidade daquilo que é similar, semelhante. Ainda não deve estar claro, vamos exemplificar aplicando a um exemplo:
Seu chefe está uma fera.
Quem afirmou essa frase não acha que a tal chefe está simplesmente bravo, ou muito bravo, ela está uma fera. Houve aí um emprego especial de uma palavra, uma substituição de bravo, por exemplo, para fera. Havendo uma substituição de uma palavra por outra, detectamos aí um figura de palavra, mas qual? Que tipo de relação essas palavras têm entre si? Bom, notamos que o chefe está bravo. Uma fera normalmente costuma se comportar de forma agressiva. Logo, o chefe parece demonstrar certos comportamentos próximos a uma fera; características de ambos parecem ser semelhantes; tanto o chefe quanto a fera se mostram, pelo menos temporariamente, numa relação de... similaridade! Quando esse tipo de relação ocorre, nomeamos a tal figura de linguagem como metáfora.

1. METÁFORA
Como vimos acima, a metáfora é a substituição de uma palavra por outra por uma relação de semelhança. Ela não deixa de ser uma comparação, mas uma comparação subentendida, quando a deixamos clara, trata-se de outra figura de linguagem. É também uma relação não real, é como se nós permitíssemos que duas coisas totalmente diferentes sejam postas no mesmo plano de existência, como o chefe e a fera. A metáfora também possui um caráter subjetivo e momentâneo, se a tornarmos permanente, estaríamos novamente falando de outra figura de linguagem. Vocês podem perceber que a metáfora é bem mais complexa do que parece e é como a mãe de outras de sua classe, mas basta entender que ao se deparar com uma comparação implícita cujas palavras em questão possuem algum tipo de semelhança, estamos falando de uma metáfora. Mas exemplos sempre facilitam a compreensão.

Exemplos na literatura:
  • "Meu pensamento é um rio subterrâneo." (Fernando Pessoa)
  • "Teu corpo é a brasa do lume" (Manuel Bandeira)
  • "Amor é fogo que arde sem se ver" (Luís de Camões)
  • "Perdi-me dentro de mim/Porque eu era labirinto," (Mário de Sá Carneiro)
  • "... Por o pé no chão do seu coração..." (Carlos Drummond de Andrade)
Exemplos na não-literatura:
  • Ele é um anjo.
  • Minha boca é um túmulo.
  • Como esta rua está deserta.
  • A Amazônia é o pulmão do mundo.
  • Encontrei a chave do problema.
2. CATACRESE
Lembra quando falamos que a metáfora possui um caráter momentâneo? Então, esse é um ponto importante, pois se ela se cristalizar, passa a ser uma catacrese. Como assim? É Quando uma metáfora se desgasta e passa a fazer da língua, perdendo sua conotação poética. Já prestou atenção na expressão "pé da cadeira"? Não há uma metáfora aí? O pé humano é comparado implicidamente com aquele pedaço de madeira sem nome que parece ter a mesma função do membro da nossa anatomia, porém ninguém mais pensa nisso, ninguém lembra, ela perdeu seu caráter metafórico inicial e se estagnou, se tornando uma catacrese. Apesar do nome de doença, ela está muito presente no nosso dia-a-dia:
  • Boca do fogão, braço do sofá, dente de alho, embarcar no trem, etc.
3. PERSONIFICAÇÃO (ou PROSOPOPEIA)
Outra figura que deriva da metáfora, porém consiste na atribuição de características, sentimentos e atitudes humanos a animais, vegetais ou seres inanimados. Por exemplo, na frase "O verão nascia naquela manhã", não deixa de haver uma metáfora, pois o verão parece passar pelo mesmo momento em que todos nós passamos no nosso primeiro dia no mundo, mas simbolicamente, metaforicamente, pois nascer é uma virtude humana. Emprestar uma característica humana ao verão define o que chamamos de personificação. Exemplos:

Exemplos na literatura:
  • "A Bomba atômica é triste,
    Coisa mais triste não há
    Quando cai, cai sem vontade." (Vinícius de Morais)
  •  “As casas espiam os homens
    Que correm atrás das mulheres.” (Carlos Drummond de Andrade)
  • “Os prédios são altos e se espreitam traiçoeiramente com binóculos na sombra”. (Rubem Braga)
Exemplos na não-literatura:
  • A lua beijava a face do lago adormecido.
  • O chá está pronto, quando o bule apitar.
  • "A lua me traiu" (Calypso)
 4. SINESTESIA
É uma metáfora que nasceu do cruzamento dos sentidos humanos (audição, tato, olfato, visão e paladar). Complicado? É simplesmente a fusão de sensações diferentes numa só impressão. Observe o trecho a seguir de Giuliano Fratin: "Como era áspero o aroma daquela fruta exótica". Veja como o autor mescla o áspero (tato) e o aroma (olfato) numa mesma expressão. Exemplos:

Exemplos na literatura:
  • "Na floresta uma luminosidade perfumada aquecia os pássaros" (Giuliano Fratin)
  • "Sobem nas catedrais os neblinantes
    Incensos vagos, que recordam hinos..." (Cruz e Souza)
Exemplos na não-literatura:
  • Esse tênis já está fedendo azedo.
  • Um silêncio dolorido presenciamos ontem no velório.
5. COMPARAÇÃO (ou SÍMILE)
Quando se trata de uma relação de comparação explícita, caracterizamos a figura como comparação. Ou seja, quando o elemento comparativo é evidente. Exemplo: 

Exemplos na literatura:
  • "De sua formosura
    deixai-me que diga:
    é tão belo como um sim
    numa sala negativa
    " (João Cabral de Melo Neto)
  • "A via-láctea se desenrolava
    Como um jorro de lágrimas ardentes (Olavo Bilac)
Exemplos na não-literatura:
  •  Seu corpo é como o de uma sereia.
  • Seu pai parecia um leão discutindo com sua mãe.
OBS: Metáfora X Comparação

Você já deve entender cada um separadamente, mas para fins escolores, a diferença reside basicamente no uso do conectivo comparativo (como, qual, etc)Por exemplo:

O coração dele é de pedra. >>>> Metáfora
O coração dele é como pedra >>>> Comparação

Obriga... ops, não é com essa cor!
Obrigado por ler!
James Juice

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Figuras de Linguagem

Antes de mais nada, deem uma olhadinha em um dos poemas mais famosos de Camões.
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;

É um contentamento descontente;

É dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;

É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade

É servir a quem vence o vencedor,
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor

Nos corações humanos amizade;
Se tão contrário a si é o mesmo amor?

Luís de Camões
Bonito, não? Já parou para pensar o porquê é tão bonito? Ok, você pode achar cafona, mas não pode negar que há um trabalho feito com as palavras de maneira que seu conteúdo fique mais profundo, mais, obviamente, poético. Camões podia simplesmente escrever "O amor é contraditório", "O amor é um sentimento forte que não se explica", "O amor é bom", "O amor é bacana", mas não seria consagrado um dos maiores poetas da literatura clássica portuguesa, até mundial. É aí que a linguagem literária se distancia da linguagem comum.

Essas estratégias que o autor pode aplicar para atingir determinados efeitos ao texto, tornando-o mais expressivos, mais intensos, mais surpreendentes são as tais figuras de linguagem (ou de estilo ou de retórica); é uma forma de expressão que consiste no uso de palavras em sentido figurado, isto é, em um sentido diferente daquele em que elas normalmente são empregadas; é um recurso linguístico para expressar experiências comuns de forma diferente, conferindo originalidade, emotividade e poeticidade ao discurso. Mas nós, reles mortais, também usamos figuras de linguagem no nosso cotidiano para atingir certos efeitos que às vezes nem as percebemos.

Podemos classificá-las em pelo menos quatro grupos diferentes. Observe abaixo alguns exemplos retirados de Camões acima (acabei de usar uma antítese e uma metonímia... ops, esqueci que vocês ainda não sabem sobre elas, mas não se preocupem, daqui a pouco entenderão):
  1. "Amor é fogo que arde sem se ver"
  2. "É um contentamento descontente"
  3. "É ter com quem nos mata lealdade"
  4. "É nunca contentar-se de contente"
Só nesse poema, há muitas outras figuras de linguagem, mas foquemos apenas nessas quatro por enquanto:
  1. O autor não simplesmente adjetiva o amor como, por exemplo, "contraditório", "bacana", "algo muito legal", ele compara poeticamente com o "fogo que arde sem se ver", pois, para ele, há características em comum entre ambos. A esse tipo de comparação, damos o nome de metáfora, e a esse tipo de figura de linguagem, damos o nome de Figuras de Palavras (ou tropos).
  2. Nesse exemplo, notamos algo até engraçado: como um contentamento pode ser descontente? Há um jogo com as ideias que essas palavras trazem, de modo que o resultado fique contraditório, mas interessante. A esse efeito, damos o nome de paradoxo, e a esse tipo de figura de linguagem, damos o nome de Figuras de Pensamento.
  3. À primeira vista, não há nenhuma brincadeira feita através das palavras ou das ideias nesse verso, mas há uma inversão da ordem natural dos termos da oração ("É ter lealdade com quem nos mata" seria o ideal), produzindo um efeito diferente e a rima com "vontade" dois versos acima. A essa mudança de posição, damos o nome de hipérbato, e a esse tipo de figura de linguagem, damos o nome de Figuras de Construção ou de Sintaxe.
  4. No último exemplo, vamos apenas nos focar na sonoridade do verso. Repita-o algumas vezes e vai notar que há um repetição de sons muito próximos: uma nasalização de vogais (nUN, cON, tEN); fonemas que chamamos de oclusivas (Ca, Con, Ten, Tar, De, Te), que do ponto de vista fonológico da língua são muito parecidos. A essa repetição de sons vocálicos, damos o nome de assonância, à de consoantes, aliteração, e a esse tipo de figura de linguagem, o nome de Figuras de Som ou de Harmonia.
Bom, vimos que as figuras de linguagem podem aparecer de diversas maneiras e não estão só à disposição dos grandes escritores, nós mesmos fazemos uso delas tanto quanto sem perceber, você irá notar isso nos próximos posts quando estudaremos figura por figura.
Obrigado por ler!
James Juice

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Vídeo - Pleonasmo

Olá, gente!

Estou de volta com um vídeo excelente sobre pleonasmo!
É muito bom mesmo e qualquer semelhança é (ou não) mera coincidência.
Deliciem-se.
"Nóis na Fita" com Marcius Melhem.



Muito bom, né? Se não achou, problema seu. Eu gostei.

Obrigado por assistir!
James Juice

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Análise Sintática 18 - Orações Reduzidas

Chegamos a última parte sobre a temida Análise Sintática, não que ela acabe por aqui, pois ainda é extensa. São as ORAÇÕES REDUZIDAS.

Orações Reduzidas ocorrem quando servem como orações subordinadas, porém sem conectivos (conjunções integrantes ou pronomes relativos), ou seja, de forma reduzida. Um exemplo para facilitar a compreensão:
Tunando meu carro, vou pegar todas as gatinhas!
Percebeu que há duas orações, né? Tunando meu carro e vou pegar todas as gatinhas. Qual delas não tem sentido sozinha? vou pegar todas as gatinhas, certo? ERRADO! É Tunando meu carro, então é a subordinada. Mas ela não vem com nenhum conectivo. A oração inicia-se com um verbo no gerúndio. A partir daí, podemos tirar uma conclusão: orações reduzidas SEMPRE se iniciam com verbos em suas formas nominais, infinitivo (os verbos terminados em -r), gerúndio (verbos terminados em -ndo) ou particípio (verbos terminados em -do).

Ainda falta classificar a oração. A melhor maneira de fazer isso é passar a forma reduzida para a desenvolvida. Vamos ver:
Tunando meu carro, vou pegar todas as gatinhas! --> Forma Reduzida

Quando tunar meu carro, vou pegar todas as gatinhas! --> Forma Desenvolvida
Legenda:
Oração Principal
Oração Subordinada
Agora ficou mais fácil classificar. Então ficou assim:
Tunando meu carro --> Oração Subordinada Adverbial Temporal Reduzida de Gerúndio

vou pegar todas as gatinhas --> Oração Principal
Não mudou muita coisa. Só que agora tem que desenvolver a oração para classificar. Vou dar mais alguns exemplos:
Espero chegar em casa cedo --> Oração Subordinada Substantiva Obejtiva Direta Reduzida de Infinitivo

Ele contava
histórias de arrepiar até os mais corajosos. --> Oração Subordinada Adjetiva Restritiva Reduzida de Infinitivo

Não é vergonhoso errar. --> Oração Subordinada Su
bstantiva Subjetiva Reduzida de Infinitivo

Na cidade, viam-se pessoas caminhando para o cemitério. --> Oração Subordinada Adjetiva Restritiva Reduzida de Gerúndio

Mentindo assim
, você ficará em uma situação difícil --> Oração Subordinada Adverbial Condicional Reduzida de Gerúndio

Ferido no tornozelo
, ele não pode mais jogar --> Oração Subordinada Adverbial Causal Reduzida de Particípio

Fiquei surpresa com a casa, pintada de branco --> Oração Subordinada Adjetiva Explicativa Reduzida de Particípio

Mesmo vencido o campeonato
, permanecerão treinando. --> Oração Subordinada Adverbial Concessiva Reduzida de Particípio
Algumas observações finais:
  1. Orações reduzidas de infinitivo são mais comuns nas substantivas e nas adverbiais.
  2. Orações substantivas sempre serão reduzidas de infinitivo
  3. Em geral, as adverbiais vêm precedidas de preposição. Essa preposição pode facilitar na classificação sem desenvolvê-la. Exemplos: para designa finalidade/mesmo designa concessão.
  4. Não existem reduzidas das adverbiais comparativa e proporcional.
  5. Não há consecutiva e final reduzidas de gerúndios.
  6. Reduzidas de gerúndio são quase sempre adverbiais.
  7. Dependendo do contexto, as orações reduzidas podem permitir mais de um tipo de desenvolvimento.
Bem, aqui foram algumas dicas, mas não há a necessidade de decorá-las, pois se você estudar e praticar certinho, vai tirar as mesmas conclusões e até as suas próprias.

Só.

Obrigado por ler!
James Juice

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Análise Sintática 17 - Período Misto

Bem, já estudamos quase tudo. Faltam os casos em que há orações subordinadas misturadas a orações coordenadas, subordinadas misturadas a outras subordinadas, períodos com inúmeras orações e vírgulas, enfim: uma grande orgia de verbos! São os PERÍODOS MISTOS.

Mas não é tão difícil quanto parece, é só usar tudo o que aprendemos até agora. Por exemplo:
Como aconteceu no período das expansões marítimas, o homem anseia por novas terras, a fim de conquistá-las e explorá-las, porém, hoje, essas terras são outros planetas, que são inóspitos, ou será que não?
NOSSA! São muitos verbos, logo muitas orações e está tudo bem misto. Vamos primeiramente encontrar as orações:
  • Como aconteceu no período das expansões marítimas --> Oração 1
  • o homem anseia por novas terras --> Oração 2
  • a fim de conquistá-las --> Oração 3
  • e explorá-las --> Oração 4
  • porém, hoje, essas terras são outros planetas --> Oração 5
  • que são inóspitos --> Oração 6
  • ou será que não --> Oração 7
  • ou será --> Oração 8
  • que não --> Oração 9
Agora, analisá-las:
  1. Como aconteceu no período das expansões marítimas --> Oração Subordinada Adverbial Conformativa
  2. o homem anseia por novas terras --> Oração Principal da Oração 1, da Oração 3 da Oração 4 e Oração Coordenada Assindética
  3. a fim de conquistá-las --> Oração Subordinada Adverbial Final
  4. e [a fim de] explorá-las --> Oração Subordinada Adverbial Final
  5. porém, no caso, essas terras são planetas --> Oração Coordenada Sindética Adversativa e Oração Principal da Oração 6
  6. que são inóspitos --> Oração Subordinada Adjetiva Explicativa
  7. ou será que não --> Oração Coordenada Sindética Alternativa
  8. ou será --> Oração Principal da Oração 9
  9. que não [são inóspitos] --> Oração Subordinada Substantiva Subjetiva
Uma legendinha meio óbvia:
Orações Subordinadas
Orações Coordenadas
Oração Principal
Pode-se perceber que, às vezes, temos que deduzir alguns termos omitidos na oração, podendo ser conjunções, como no caso 4, verbos, como no caso 9, entre outros.

Bom, tem mais uma parte sobre a tal Análise Sintática, não pare de acompanhar.

Obrigado por ler!
James Juice

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Análise Sintática 16 - Orações Coordenadas Sindéticas

Agora que já estamos familiarizados com as orações coordenadas, precisamos aprender as classificações das sindéticas.

De um modo geral, classificam-se pelo sentido que as conjunções transmitem, quase da mesma meneira que as subordinadas adverbiais. Vamos a elas:
  • ADITIVA: estabelecem relação de adição, soma. Exemplo: Caiu a chuva e a plantação cresceu. Principais conjunções: e, nem, mas também.
  • ADVERSATIVA: estabelecem relação de oposição. Exemplo: Tentei viajar com meu filho, mas ele não quis ir. Principais conjunções: mas, porém, todavia, contudo, entretanto, e.
  • ALTERNATIVA: estabelecem relação de alternância. Exemplo: Ou arruma seu quarto, ou limpa o banheiro! Principais conjunções: ou ... ou, ora ... ora, ... , quer ... quer.
  • CONCLUSIVA: estabelecem relação de conclusão. Exemplo: Você descobriu uma nova espécie de peixe, logo vá pegar seu prêmio. Principais conjunções: logo, portanto, pois (depois do verbo), então.
  • EXPLICATIVA: estabelecem relação de explicação. Exemplo: Fica tranquilo, que eu cuido dela. Principais conjunções: pois, porque, que.
Legenda:
Orações Coordenadas Assindéticas
Orações Coordenadas Sindéticas
A classificação das coordenadas é basicamente analisar suas conjunções, pois, desta vez, as conjunções são mais específicas. Com exceção, por exemplo, do e, que quando estiver adicionando uma informação, é aditiva; quando contrapondo, adversativa; meio óbvio, mas pode virar pegadinha. Como nos casos abaixo:
Estudei para a prova e fui bem. --> Oração Coordenada Sindética Aditiva
Estudei para a prova e fui mal. --> Oração Coordenada Sindética Adversativa
Outra informação importante é que sempre se separa as orações coordenadas com vírgulas, menos nas aditivas, e nas alternativas é opcional.

Obrigado por ler!
James Juice

Análise Sintática 15 - Orações Coordenadas

Bom, continuando o assunto sobre os períodos compostos, vamos estudar as ORAÇÕES COORDENADAS.

As orações coordenadas apenas possuem relação semântica, diferentemente das subordinadas, que possuem também relação sintática. Ou seja, as coordenadas fazem sentido seperadamente. Exemplo:
O mestre morreu, mas deixou seguidores.
A oração O mestre morreu tem sentido sozinha, assim como deixou seguidores, portanto não possuem relação sintática; mas a conjunção mas deixa-as dependerem semanticamente da outra, em uma relação de oposição. Quando houver conjunções, a oração coordenada será SINDÉTICA, quando não, será ASSINDÉTICA. Por exemplo:
O tempo passa, a vida continua. --> Orações Coordenadas Assindéticas

A vida continua
, mas o tempo passa --> Oração Coordenada Assindética / Oração Coordenada Sindética
Percebeu que não há oração principal? Como as coordenadas não dependem sintaticamente de outra, não há razão para ter uma principal, ou seja, uma "mandar" na outra. Acompanhe meu raciocínio: imaginem uma indústria. Nela, há os chefes e os subordinados; mas só há chefes, porque existem subordinados e vice-versa, como nas orações subordinadas. Agora, as orações coordenadas seriam comparadas a sócios, que não se subordinam, mas precisam um do outro.

As coordenadas sindéticas podem ser confundidas com as subordinadas adverbiais. Mas é fácil resolver: basta inverter a ordem das orações. Se fizer sentido, será adverbial; caso contrário, será coordenada sindética. Dessa maneira:
A quadra está molhada, porque choveu. --> Porque choveu, a quadra está molhada (fez sentido, portanto Oração Subordinada Adverbial)

Choveu, porque a quadra está molhada. --> Porque a quadra está molhada, choveu (não fez sentido, portando Oração Coordenada Sindética)
Dá para resolver esse dilema analisando os sentidos que elas exprimem: no primeiro exemplo, chover é a causa da quadra estar molhada; já na segunda, a quadra estar molhada é apenas uma explicação de chover, uma pista de ter chovido.

Obrigado por ler!
James Juice

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Análise Sintática 14 - Orações Subordinadas Adverbiais

Finalmente, a última parte sobre as Orações Subordinadas, as ADVERBIAIS.

Tudo começa da mesma maneira que as outras: identifique a conjunção, que também é integrante, como já dito, separe a oração principal da subordinada. Pronto, acabou! Mas ainda precisamos saber suas classificações. Basicamente, devemos classificar as orações através do sentido que elas transmitem. Um exemplo:
Seu cachorro não é mais o mesmo porque está possuído. --> Oração Subordinada Adverbial Causal
A oração classifica-se como causal, pois expressa a causa do cachorro não ser mais o mesmo. Mas agora vamos às classificações:
  • CAUSAL: eu já disse, mas vou repetir. Expressa a causa da oração principal. Exemplo (outro): Como choveu muito, não fui ao parque. Principais conjunções: como (no início da oração), uma vez que, porque.
  • CONDICIONAL: expressa condição. Exemplo: Você pode ir pra balada contanto que saia com um cadeado na calcinha. Principais conjunções: se, ao mesmo que, desde que, contanto que.
  • CONSECUTIVA: expressa consequência (sem trema). Exemplo: O susto foi tamanho que seu coração parou. Principais conjunções: tão /tamanho/tanto ... que.
  • CONFORMATIVA: expressa conformidade. Exemplo: Como eu tinha dito, vocês vão morrer! Principais conjunções: como, conforme, segundo.
  • CONCESSIVA: expressa concessão. Exemplo: Mesmo que não chova, não vou ao parque. Principais conjunções: embora, mesmo que, ainda que.
  • COMPARATIVA: expressa comparação. Exemplo: Como uma grande garça branca voando nos céus do Pantanal, você alegra meu coração. Principais conjunções: como, mais/menos ... (do) que.
  • FINAL: expressa finalidade. Exemplo: Para que você me ouça bem, gritarei. Principais conjunções: para que, a fim de que, que.
  • PROPORCIONAL: expressa proporção. Exemplo: À medida que você gritava, eu ouvia melhor. Principais conjunções: à proporção que, à medida que, quanto mais/menos ... que.
  • TEMPORAL: expressa tempo. Exemplo: Quando você gritou, eu ouvi perfeitamente. Principais conjunções: quando, enquanto, logo que, desde que.
Ufa! Acabou, são tantas! Nove! Mas para facilitar a decoreba, lembre-se de que seis deles começam com a letra C. Agora preciso dar algumas informações importantes antes de terminar o post:
  • Vou dizer (ou escrever) novamente para frisar: a classificação das adverbiais é definida pelo sentido que elas transmitem.
  • Percebeu que coloquei algumas conjunções. São para deixar mais fácil a classificação das orações (rimou), pois, de algumas delas, dá-se para classificar apenas vendo a conjunção. Mas lembro que não foram escritas todas, apenas as principais.
  • Algumas conjunções não são específicas de um tipo, às vezes, ela pode servir para outros como você pode observar nos exemplos acima. A conjunção como serviu para três tipos, portanto é sempre bom analisar o sentido que elas exprimem antes.
  • Tente substituir algumas conjunções por outras de mesmo sentido para confirmar o tipo ao qual pertence. Exemplo: Como eu tinha dito por Conforme eu tinha dito, confirmando que é uma oração conformativa.
  • Como as subordinadas adverbiais fazem papel de advérbios, precisam estar no final do período para estar na ordem direta. Se não estiverem, vêm acompanhadas de vírgulas, seja no início ou no meio. Lembrando que colocar vírgulas, quando estiverem no fim, também não é errado.
Acho que é só!

Obrigado por ler!
James Juice

Análise Sintática 13 - Orações Subordinadas Substantivas

Bom, existem também as Orações Subordinadas SUBSTANTIVAS (Jura?! Dá pra ver isso no título, né?)

As Orações Subordinadas Substantivas servem como termos sintáticos que estão faltando na oração principal. Exemplo:
Esta situação exige que sejamos cuidadosos.
A conjunção que separa as orações é o que. Na oração principal (Esta situação exige), percebe-se que falta um pedaço dela, pois quem exige, exige algo, portanto está faltando o objeto direto. A continuação dessa oração é outra oração, ou seja, que sejamos cuidadosos é uma Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta! Simples... É importante saber que o nome da conjunção que divide as orações é CONJUNÇÃO INTEGRANTE. Apenas, nas adjetivas que há pronomes relativos, nas outras são conjunções integrantes.

Ela se chama substantiva, pois se transformarmos a oração subordinada em uma palavra, ela seria um substantivo. Voltemos ao exemplo anterior:
Esta situação exige que sejamos cuidadosos. --> Oração Substantiva
Esta situação exige cuidado. --> Substantivo
Agora vamos aos tipos de substantivas:
  • SUBJETIVA: é quando a oração substantiva equivale ao sujeito. Exemplo: É necessário que todos passem no exame. DICA: Substitua a oração por ISTO e ponha na ordem direta e veja se faz sentido. Deste modo: ISTO é necessário (fez sentido).
  • PREDICATIVA: é quando equivale ao predicativo do sujeito. Exemplo: A necessidade é que todos passem no exame.
  • OBJETIVA DIRETA: é quando equivale ao objeto direto. Há um exemplo acima, mas vou dar outro: Ele admitiu que errou.
  • OBJETIVA INDIRETA: é quando equivale ao objeto indireto. Exemplo: Gosto de que massageie meus calos.
  • COMPLETIVA NOMINAL: é quando equivale ao complemento nominal. Exemplo: Eles estão confiantes de que vencerão.
  • APOSITIVA: é quando equivale ao aposto. Exemplo: Pedimos a todos uma coisa: que salvem as baleias!
Como as subordinadas substantivas são como termos da oração num período simples, NUNCA as separe com vírgulas! É como dizer: Eu, gosto, de chocolate. Não faça isso!

Na maioria dos casos de substantivas, as orações se iniciam com conjunções integrantes (que/se), mas pode acontecer de virem introduzidas por pronomes interrogativos (quem, que, qual etc) ou advérbios interrogativos (onde, como, quando etc), que funcionam da mesma maneira. Por exemplo:
  • Pronome interrogativo: O mundo ainda não descobriu qual é a fórmula do rejuvenescimento.
  • Advérbio interrogativo: Todos perguntam quando terão fim a fome e a pobreza.
Ainda tem mais!

Obrigado por ler!
James Juice

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Análise Sintática 12 - Orações Subordinadas Adjetivas

Agora que já sabemos o que são as orações subordinadas, vamos aprender sobre suas classificações, começando pelas Orações Subordinadas ADJETIVAS.

Primeiramente, precisamos saber o que são adjetivos. Esse é um assunto para outro post, pois se trata de outro ramo da gramática, a morfologia; mas, brevemente, os adjetivos são características, atributos dados aos substantivos. Por exemplo:
Rio de Janeiro é uma cidade litorânea.
Rio de Janeiro é uma cidade do litoral.
Rio de Janeiro é uma cidade que fica no litoral.
Note que as três frases têm o mesmo sentido, porém a informação foi passada de maneiras diferentes. Na primeira, a palavra litorânea é um adjetivo; na segunda, as palavras do litoral são uma locução adjetiva e têm valor de adjetivo; na última, há uma oração inteira substituindo um adjetivo! Viu? O terceiro exemplo apresenta uma oração, que é subordinada, pois sozinha não faz sentido, e é adjetiva, pois tem o mesmo valor de um, portanto, pode-se classificá-la como ORAÇÃO SUBORDINADA ADJETIVA.

NOTA: Há orações adjetivas que não podem ser tranformadas em adjetivos.

Dentro das orações subordinadas adjetivas, existem mais dois tipos: as EXPLICATIVAS e as RESTRITIVAS. Exemplos:
Os alunos, que foram mal no exame, sairão mais tarde da escola. --> Oração Subordinada Adjetiva Explicativa

Os alunos que foram mal no exame sairão mais tarde da escola. --> Oração Subordinada Adjetiva Restritiva
A diferença entre elas, visualmente, é que uma tem vírgulas e a outra não. Mas, semanticamente, a diferença é mais profunda: na primeira, as vírgulas apenas expressam uma explicação, ou seja, todos os alunos foram mal na prova e todos sairão mais tarde, generalizando-os; na segunda, a falta de vírgulas restringe os alunos, de modo que apenas os alunos que foram mal no exame sairão mais tarde e não todos. Não é tão complicado assim, né?

Outra coisa importante e que facilita a compreensão é saber que uma oração subordinada adjetiva sempre se inicia com um PRONOME RELATIVO. Pronomes relativos também são assunto para outro post, mas, de um modo geral, são fragmentos que substituem palavras, evitando a repetição delas. Exemplo:
Todos choraram a perda do carro. O carro era novo.
Todos choraram a perda do carro que era novo.
Viram como identificar um pronome relativo? Se ainda acha difícil, basta substituir o que por o qual, os quais, a qual, as quais, etc, se der certo, o tal que é um pronome relativo. Desta forma:
Todos choraram a perda do carro que era novo.
Todos choraram a perda do carro o qual era novo. --> deu certo!

Lembre que o mundo está morrendo.
Lembre o qual o mundo está morrendo. --> NÃO deu certo!
Concluindo, se você encontrar um período composto e houver pronome relativo, com toda certeza é uma Oração Subordinada Adjetiva, que pode ser Explicativa ou Restritiva.

Obrigado por ler!
James Juice

Análise Sintática 11 - Orações Subordinadas

Vamos, então, estudar os períodos compostos, começando pelas ORAÇÕES SUBORDINADAS!

Orações Subordinadas são aquelas que dependem sintaticamente e semanticamente de outra. Não entendeu? É aquela que não faz sentido algum sozinha. Vamos a um exemplo para facilitar:
Você fede como um gambá defecando em cima do vômito dum cadáver.
Percebe-se que há dois verbos na frase: fede e defecando. E podemos dividir esse período em dois: Você fede e como um gambá defecando em cima do vômito dum cadáver. Cada verbo é uma oração, portanto, dois verbos, duas orações. Para dividi-la devemos encontrar a conjunção que é, no caso, como (às vezes, pode ser um pronome). Repare nessas duas orações, qual delas não faz sentido sozinha? Tempo: tic, tac, tic, tac, tic, tac, tic, tac, tic, tac, tic, tac! O tempo acabou. Qual é a resposta? Se eu disser Você fede, você vai entender perfeitamente. Agora, se eu disser como um gambá defecando em cima do vômito dum cadáver somente, você vai sentir falta de algo para fazer algum sentido. Conclusão: como um gambá defecando em cima do vômito dum cadáver é uma Oração Subordinada, pois depende da outra, que tem sentido completo, por isso ela é chamada de ORAÇÃO PRINCIPAL. Resumindo, a oração que se encaixa dentro de outra recebe o nome de subordinada; a oração dentro da qual se encaixa uma subordinada chama-se principal.

Essa foi só uma introdução ao assunto das subordinadas. Ainda tem mais.

Obrigado por ler!
James Juice

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Análise Sintática 10 - Orações Subordinadas e Coordenadas

Olá!

Este post é só para introduzir esse novo assunto, que não deixa de fazer parte da Análise Sintática. Até agora estudamos os termos da oração, no período simples, ou seja, a relação de cada palavra dentro de apenas uma oração. Pois a partir de agora, estudaremos os períodos compostos, ou seja, a relação que cada oração tem com outra, e não mais os termos que pertecem a ela. Isso quer dizer que teremos vários verbos, consequentemente, várias orações para analisar.

Exemplos:
Explodi um mágico com um fósforo. --> PERÍODO SIMPLES (1 verbo)

Se você não comer todo o jiló, faço você engoli-lo por trás. --> PERÍODO COMPOSTO (3 verbos, no caso)
Obrigado por ler!
James Juice

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Análise Sintática 9 - Vocativo

Esse é o mais simples, creio eu!

VOCATIVO é um termo isolado da oração e o nome pelo qual se faz um chamado ao interlocutor. Vamos a uns exemplos:
Joana, tem uma aranha no teto!

Ouçam, ouvintes, o som da vitória.
Importante é lembrar que o vocativo SEMPRE estará entre vírgulas. Outra coisa: vocativo é o nome da função sintática, mas ele possui outros nomes: Invocação ou Apóstrofe, que são figuras de linguagem.

Simples, né?

Obrigado por ler!
James Juice

Análise Sintática 8 - Aposto

Vou tentar ser breve.

APOSTO
é um termo ligado ao nome, não possui preposição e explica ou resume o nome, ou os nomes, a que se refere. Exemplos:
A águia, uma ave de rapina, é um símbolo americano.

O Corinthians contratou mais dois jogadores para 2009: Ronaldo e sua barriga.

O rio Amazonas é fascinante.

A riqueza, o poder, a fama, nada tirou sua humildade.

Quando o aposto explica um palavra de maneira óbvia, vem acompanhado de vírgulas.

Até agora é o mais curto!

Obrigado por ler!
James Juice

Análise Sintática 7 - Agente da Passiva

Para entender o que seria o AGENTE DA PASSIVA, precisamos sabe o que é a VOZ PASSIVA.

Os verbos, além de outras classificações, possuem VOZES, que são formas para indicar se a ação verbal é praticada ou recebida pelo sujeito. Há a voz passiva, a voz ativa e a voz reflexiva. Voz ativa é quando o sujeito pratica a ação; voz passiva é quando o sujeito recebe a ação; e voz reflexiva é quando o sujeito pratica e recebe a ação ao mesmo tempo. Exemplos:
O gato arranhou o sofá. --> voz ativa

O dinheiro público é roubado pelos nossos políticos. --> voz passiva

A menina se cortou com um garfo. --> voz reflexiva
Agora, preste atenção nisso: A VOZ ATIVA PODE SER PASSADA PARA A VOZ PASSIVA e VICE-VERSA. Veja:
Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil.

O Brasil foi descoberto por Pedro Álvares Cabral.
Percebeu? O sujeito, no primeiro exemplo, é o agente (pois foi Pedro Álvares Cabral quem descobriu), portanto, é um sujeito agente! No segundo, o sujeito é Brasil, mas Pedro Álvares Cabral continua sendo o agente, portanto o sujeito é paciente, sofreu a ação. Mas qual é o nome que se dá ao termo que continua sendo agente, mesmo não sendo sujeito? AGENTE DA PASSIVA. Entendeu a lógica? Simples. Como o segundo exemplo está na voz passiva, possui um agente da passiva que é por Pedro Álvares Cabral (lembrando que não é obrigatório a presença de um agente na voz passiva).

Concluindo, agente da passiva é um termo ligado ao verbo, sempre estará com a preposição por
ou suas contrações (pelo, pela, pelos, pelas, etc) e indica o executor da ação verbal.

É só.

Obrigado por ler!
James Juice

Análise Sintática 6 - Complemento Nominal

Bom, esse às vezes causa confusão, mas vou tentar simplificar.

COMPLEMENTO NOMINAL é um termo ligado ao nome, complementando seu sentido, e sempre será PREPOSICIONADO (terá uma preposição). Exemplo:
Esta avenida é paralela ao rio.
O termo ao rio é o complemento nominal ligado ao nome paralela, lembrando que ao é uma preposição (contração = a preposição+ o artigo).

O que pode acontecer é a confusão entre complementos nominais e adjuntos adnominais, ou até mesmo com objetos indiretos. Primeiramente, veja a que o termo em questão está ligado: a um verbo ou a um nome? Se for verbo, será objeto indireto. Agora, se for a um nome, veja os exemplos abaixo para entender melhor:
Eu preciso de ouro para fazer o anel. --> objeto indireto (ligado ao verbo preciso)

A venda de ouro na internet foi um sucesso. --> complemento nominal

Aquele homem tem um coração de ouro. --> adjunto adnominal
Como saber quando é complemento nominal e adjunto adnominal nos dois últimos exemplos? Complemento nominal indica o paciente afetado pela ação do nome a que se liga, ou seja, se o termo em dúvida é o agente ou o alvo da ação do nome. Volte nos exemplos: no segundo, do ouro é alvo da venda. O ouro é quem vende ou ele é vendido? É vendido, portanto é o alvo. Quando for o agente, e não paciente, será adjunto adnominal ou quando for um quando o nome for substantivo concreto (no terceiro exemplo, coração é um substantivo concreto, portanto de ouro é um adjunto adnominal).

A preposição de e suas contrações (do, da, dos, das, etc) são as que podem causar confusão, porque, convenhamos, as preposições a, à, ao, para, com e outras já indicam alvo, portanto designam complemento nominal.

Obrigado por ler!
James Juice

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Análise Sintática 5 - Adjuntos

Esse é curto, prometo!

Adjuntos são termos acessórios à oração. Para ficar mais simples: são "fofocas", coisas que dizemos a mais. É quando a mensagem principal é passado, mas ficam expressados termos anexos. Deu pra entender? Vamos exemplificar:
Dercy Gonçalves morreu este ano.
Dercy Gonçalves morreu é a mensagem principal, não é? Só ela transmite tudo! Sujeito mais verbo intransitivo. Pronto, tem tudo! Mas... este ano é uma informação extra, que expressa tempo e é um advérbio (locução adverbial para ser mais exato).

Adjuntos Adverbiais sempre serão advérbios ou locuções adverbiais (mais de uma palavra para formar um advérbio) e expressarão alguma circustância. É simples saber qual circunstância o adjunto adverbial expressa. Basta fazer algumas perguntas ao verbo. Se você perguntar:
  • AONDE? --> Lugar
  • COMO? --> Modo
  • QUANDO? --> Tempo
  • QUANTO? --> Intensidade
  • COM QUEM? --> Companhia
Lembrando que há outros tipos de advérbios, como de afirmação, negação e dúvida. IMPORTANTE: com a pergunta QUEM?, você vai encontrar o sujeito, com a pergunta O QUÊ?, o objeto direto e DO QUÊ?, o objeto indireto. Concluindo, os Adjuntos Adverbiais são termos acessórios que mudam o sentido da oração, pois são advérbios, alterando a conotação do verbo, de um adjetivo ou mesmo de um outro advérbio.

Agora, os ADJUNTOS ADNOMINAIS alteram e auxiliam no sentido de um nome (dã!). Exemplo:
Os meus três velhos papagaios morreram.
A informação principal é papagaios morreram. Os+meus+três+velhos são palavras que auxiliam no sentido de papagaios, portanto são adjuntos adnominais. Uma dica legal é que os adjuntos adnominais serão as classes gramaticais satélites ao substantivo, que geralmente é o núcleo, como numeral, pronome, adjetivo e artigo.

Não falei que seria curto?! Ok, não foi tão assim...

Obrigado por ler!
James Juice

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Análise Sintática 4 - Objetos e Predicativos

Voltando...

Você já sabe a definição de OBJETO e PREDICATIVO, mas não com esses nomes. Quer ver como você já sabe? Lembra que havia verbos que precisavam de complemento? Então, esse complemento é o objeto! Lembra também que havia uns com preposição e outros sem? Pois bem, quando o objeto tiver, será INDIRETO, quando, NÃO tiver, será DIRETO.

Vamos a alguns exemplos para facilitar, pois pode ter complicado:
Nós adoramos o Domingo Legal!
Pois bem, vamos desde o começo (leia os posts anteriores para entender melhor): Qual é o verbo? adoramos. Faça aquela pergunta ao verbo. Quem é que adora? Nós. Então, Nós é o sujeito! Mas não acabou. Quem adora, adora alguma coisa, então o verbo precisa de complemento. Se eu disser: "Eu adoro", você vai perguntar: "Adora o quê?", né? Qual é o complemento do verbo nesse caso? o Domingo Legal. Esse complemento tem preposição? NÃO. Então ele é um objeto direto.
Temos então:
Nós: sujeito
adoramos o Domingo Legal: predicado
adoramos: verbo transitivo direto
o Domingo Legal: objeto direto
Entendeu? Vamos a mais um exemplo:
Preciso de uma enorme taça de sorvete de baunilha.
[Eu]: sujeito (oculto)
Preciso de uma enorme taça de sorvete de baunilha: predicado
Preciso: verbo transitivo indireto
de uma enorme taça de sorvete de baunilha: objeto indireto (de é a preposição)
Lembram-se de que às vezes o verbo não era importante, e sim o nome. Então, esse nome tem um nome (hehehe). Quando estiver se dirigindo (caracterizando) o sujeito, será PREDICATIVO DO SUJEITO. Predicativo significa qualidade, daí fica mais fácil de entender sua função na oração. Exemplo:
Ele é burro.
Ele: sujeito
é burro: predicado
é: verbo de ligação (pode-se ser substituído por um (=), pois não tem valor significativo)
burro: predicativo do sujeito (pois está caracterizando sujeito)
Muito bem. Agora, há casos em que há dois núcleos, um verbo e um nome. São duas as formas:
SUJEITO + VERBO INTRANSITIVO + PREDICATIVO DO SUJEITO

O trem passou rápido.
Vamos analisá-la:
O sujeito é fácil: O trem. O verbo (passou) é intransitivo, tem sentido completo, não precisa de complemento. E rápido está caracterizando O trem, portanto classifica-se como predicativo do sujeito. Verbos significativos e predicativos sempre serão núcleos, ou seja, há dois núcleos nesse caso, o que classifica o predicado como VERBO-NOMINAL (o final do post anterior está melhor explicado). A outra forma é:
SUJEITO + VERBO TRANSITIVO + OBJETO + PREDICATIVO DO OBJETO

Os brasileiros elegeram Lula presidente
elegeram é um verbo transitivo direto, portanto pede objeto direto. presidente está caracterizando Lula, que é o objeto. Logo, presidente é o predicativo do objeto. Outra forma do predicado VERBO-NOMINAL. E mais raro ocorrer esse caso com verbos transitivos e objetos indiretos.

Creio que seja isso por enquanto.

Obrigado por ler!
James Juice

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Análise Sintática 3 - Predicado

Vamos estudar o outro termo essencial da oração, o predicado.

Consta no post Análise Sintática 1 a definição de predicado, mas usemos o bom e velho Ctrl+C, Ctrl+V e colemos aqui de novo. Predicado é a parte que contém o que se declara a respeito do sujeito, ou seja, o resto. É só achar o sujeito, o resto é o predicado (nele que o verbo está).

Estudar o predicado é o mesmo que estudar o verbo que há nele. Há dois tipos de verbos: os SIGNIFICATIVOS e os INSIGNIFICANTES (hahaha, não resisti à piada, mas fica mais fácil de lembrar). Brincadeira, não são chamados de insignificantes e não estou menosprezando esses verbos, mas são verbos sem valor significativo, sem muita importância, podem ser substituídos por outra palavra ou mesmo por um sinal de igual (=). Vamos começar por eles:
  • Verbo de Ligação: os verbos insignificantes são chamados de verbos de ligação, pois só estão presentes no predicado para ligar dois termos. Eles não têm importância sintática, devido ao fato de não serem o núcleo do predicado, e sim, ser um nome. Exemplo:
Eu sou um imbecil.
Vamos analisá-la. Sujeito? Eu. Certo. Predicado? sou um imbecil. Muito bem. Agora, se eu disser: Eu permaneço um imbecil, Eu estou um imbecil ou mesmo Eu=um imbecil, você compreende perfeitamente, e a mensagem principal foi passada. Por quê? Porque o verbo não é importante, só está lá para ligar.

Vamos agora para os verbos significativos. Quando aparecerem, eles que serão o núcleo do predicado e se dividem em INTRANSITIVOS e TRANSITIVOS.
  • Verbo Intransitivo: existe quando ele passa a informação na sua totalidade. Só ele é necessário para exprimir uma idéia completa, portanto, não precisa de um termo que complete seu sentido. Exemplo:
O padre baloeiro sumiu com seus 1001 balões e morreu.
Como vocês perceberam, esses dois verbos já transmitem toda a mensagem. Eles não precisam de complemento, o sentido inteiro se concentra neles. Essa história de "complemento" pode estar confundindo, né? Mas, quando explicar os verbos transitivos, vai ficar mais fácil.

Os verbos transitivos são aqueles que não fazem sentido sozinhos, precisam de complemento! Há três tipo:
  • Verbo Transitivo Direto: se o complemento do verbo NÃO tiver uma preposição. Exemplo:
Eu adoro animês.
O verbo, nesse caso, não tem sentido completo, porque quem adora, adora alguma coisa. Portanto, precisa de um complemento, complemento sem preposição! Deu pra entender? Fácil, né? Calma, depois complica... Hehehe.
  • Verbo Transitivo Indireto: é quando o verbo precisa de complemento e ele vem com uma preposição. Exemplo:
Eu gosto de mitologia nórdica.
O verbo novamente necessita de complemento que, no caso, tem uma preposição (de).
  • Verbo Transitivo Direto e Indireto: é quando o verbo possui os dois complementos. Exemplo:
Eu ainda não escrevi o depoimento a uma amiga.
Já estamos acabando. Depois de analisar o verbos, vamos estudar os tipos de predicado:
  • Predicado Nominal: é quando o núcleo é um nome, ou seja, quando há o tal verbo de ligação.
  • Predicado Verbal: é quando o verbo for significativo, seja transitivo ou intransitivo.
  • Predicado Verbo-Nominal: é quando o núcleo é um nome e um verbo. Há duas formas dele aparecer:
  1. Verbo significativo+predicativo do sujeito
  2. Verbo significativo+predicativo do objeto
O conceito de predicativo será explicado no próximo post.

Tem muito mais ainda!

Obrigado por ler!
James Juice