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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Análise Sintática 4 - Objetos e Predicativos

Voltando...

Você já sabe a definição de OBJETO e PREDICATIVO, mas não com esses nomes. Quer ver como você já sabe? Lembra que havia verbos que precisavam de complemento? Então, esse complemento é o objeto! Lembra também que havia uns com preposição e outros sem? Pois bem, quando o objeto tiver, será INDIRETO, quando, NÃO tiver, será DIRETO.

Vamos a alguns exemplos para facilitar, pois pode ter complicado:
Nós adoramos o Domingo Legal!
Pois bem, vamos desde o começo (leia os posts anteriores para entender melhor): Qual é o verbo? adoramos. Faça aquela pergunta ao verbo. Quem é que adora? Nós. Então, Nós é o sujeito! Mas não acabou. Quem adora, adora alguma coisa, então o verbo precisa de complemento. Se eu disser: "Eu adoro", você vai perguntar: "Adora o quê?", né? Qual é o complemento do verbo nesse caso? o Domingo Legal. Esse complemento tem preposição? NÃO. Então ele é um objeto direto.
Temos então:
Nós: sujeito
adoramos o Domingo Legal: predicado
adoramos: verbo transitivo direto
o Domingo Legal: objeto direto
Entendeu? Vamos a mais um exemplo:
Preciso de uma enorme taça de sorvete de baunilha.
[Eu]: sujeito (oculto)
Preciso de uma enorme taça de sorvete de baunilha: predicado
Preciso: verbo transitivo indireto
de uma enorme taça de sorvete de baunilha: objeto indireto (de é a preposição)
Lembram-se de que às vezes o verbo não era importante, e sim o nome. Então, esse nome tem um nome (hehehe). Quando estiver se dirigindo (caracterizando) o sujeito, será PREDICATIVO DO SUJEITO. Predicativo significa qualidade, daí fica mais fácil de entender sua função na oração. Exemplo:
Ele é burro.
Ele: sujeito
é burro: predicado
é: verbo de ligação (pode-se ser substituído por um (=), pois não tem valor significativo)
burro: predicativo do sujeito (pois está caracterizando sujeito)
Muito bem. Agora, há casos em que há dois núcleos, um verbo e um nome. São duas as formas:
SUJEITO + VERBO INTRANSITIVO + PREDICATIVO DO SUJEITO

O trem passou rápido.
Vamos analisá-la:
O sujeito é fácil: O trem. O verbo (passou) é intransitivo, tem sentido completo, não precisa de complemento. E rápido está caracterizando O trem, portanto classifica-se como predicativo do sujeito. Verbos significativos e predicativos sempre serão núcleos, ou seja, há dois núcleos nesse caso, o que classifica o predicado como VERBO-NOMINAL (o final do post anterior está melhor explicado). A outra forma é:
SUJEITO + VERBO TRANSITIVO + OBJETO + PREDICATIVO DO OBJETO

Os brasileiros elegeram Lula presidente
elegeram é um verbo transitivo direto, portanto pede objeto direto. presidente está caracterizando Lula, que é o objeto. Logo, presidente é o predicativo do objeto. Outra forma do predicado VERBO-NOMINAL. E mais raro ocorrer esse caso com verbos transitivos e objetos indiretos.

Creio que seja isso por enquanto.

Obrigado por ler!
James Juice

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Análise Sintática 2 - Sujeito

Continuando nossa aula sobre Análise Sintática, vamos nos aprofundar melhor no SUJEITO. Já expliquei no post anterior sua definição, mas não custa nada falar de novo. Sujeito é um dos dois termos essenciais em uma oração, formado por uma ou mais palavras e designa o ser a respeito do qual se declara alguma coisa, ou seja, do quê ou de quem estamos falando. Já expliquei também como o encontra, mas vamos revisar: basta encontrar o verbo e perguntar para ele: quem? ou o que é quê? A resposta é o sujeito. Exemplos?
Todos os políticos brasileiros são honestos.
Quem são honestos? Sujeito: Todos os políticos brasileiros.

Não existe corrupção no Brasil.
O que é que não existe no Brasil? Sujeito: corrupção.
Mas a matéria sobre sujeito não acabou. Ainda há os tipos de sujeitos. São eles:
  • Sujeito Simples: É aquele que possui apenas um núcleo. Exemplo: O tráfico de drogas está acabando no Brasil. Núcleo: tráfico.
Detalhe 1: Embora o sujeito seja O tráfico de drogas, o núcleo é apenas tráfico, pois é ele que transmite a mensagem principal, as outras palavras só estão auxiliando no sentido, complementando. Afinal, você entenderia se eu dissesse assim: O de drogas está acabando no Brasil? Acho que não. Agora, se eu disser: Tráfico está acabando no Brasil você entende perfeitamente, faltando alguns detalhes, mas a mensagem importante foi passada.
  • Sujeito Composto: É aquele que possui dois ou mais núcleos. Exemplo: O número de analfabetos e o índice de desemprego são os menores em anos. Núcleos: número/índice.
  • Sujeito Oculto (ou Elíptico): É aquele que é identificável pela terminação verbal ou pelo contexto. Exemplo: Adoro assistir a novelas. Sujeito: [Eu], dá para se perceber qual é o sujeito, mas ele não está explícito.
  • Sujeito Indeterminado: É quando o sujeito existe, mas não dá para se determinar. Há duas formas sintáticas em que ele aparece:
  1. Verbo na 3ª pessoa do plural. Exemplo: Roubam dinheiro público.
  2. Verbo na 3ª pessoa do singular + se. Exemplo: Rouba-se muito no Brasil.
Detalhe 2: Nem sempre um verbo na 3ª pessoa do plural forma um sujeito indeterminado. Se num contexto, ele já foi dito, será determinado. Exemplo:
Marginais me assaltaram e furtaram tudo o que tinha. (sujeito determinado, no caso, simples)
Detalhe 3: Pode causar confusão o segundo caso, pois verbo na 3ª pessoa do singular + se nem sempre significa sujeito indeterminado, às vezes pode ser sujeito determinado (simples ou composto). É fácil descobrir a diferença: se, depois do se, houver uma preposição, ele será sujeito indeterminado. Agora, se não, será sujeito determinado, pois estará na voz passiva analítica (Voz Passiva vai ser melhor explicada nos próximos posts). E até a classificação do se muda nas duas situações. Veja a tabela abaixo para facilitar:
  • Sujeito Inexistente (oração sem sujeito): É quando ela não possui nenhum elemento ao qual o predicado possa ser atribuído. Como o verbo não admite sujeito, eles se apresentam SEMPRE na 3ª pessoa do singular e classificam-se como verbos impessoais. Veja os mais importantes:
  1. Haver: quando é sinônimo de "existir", "acontecer" e indicando tempo passado, permanece impessoal. Exemplos: Não maldade no mundo. Já houve guerras no Brasil. dois dias, eu estava com uma diarréia de matar.
  2. Estar: indicando tempo ou clima. Exemplo: Está frio.
  3. Ir: quando indica tempo. Exemplo: Vai para dois meses que estou preso.
  4. Fazer: quando indica tempo passado ou futuro e clima apresenta sujeito inexistente. Exemplos: Faz calor. Faz duas semanas que eu não vou ao banheiro.
  5. Ser: quando estiver expressando tempo, clima ou distância, não há sujeito, porém às vezes ele pode estar na 3ª pessoa do plural. Exemplos: Era noite quando chegamos a casa. São duas horas da tarde.
  6. Fenômenos da Natureza (chover, nevar, ventar, trovejar e outros): também formam orações sem sujeito.
Detalhe 4: Quando estiver empregado algum verbo que expressa fenômeno da natureza, mas no sentido figurado, a oração terá sujeito. Exemplo: Choveram aplausos. Sujeito: aplausos.

É isso por enquanto, mas a sintaxe não acaba por aqui.

Obrigado por ler!
James Juice

Análise Sintática 1 - Introdução e Termos Essenciais da Oração

Olá! Chegou a hora de vermos a, muitas vezes, temida Análise Sintática, que não é esse bicho-de-sete-cabeças que a maioria acha. Na verdade, é pura lógica. É só estudar que fica fácil.

Para começar, devemos saber que a Análise Sintática faz parte de um ramo da Gramática, a SINTAXE (NÃO se pronuncia sintaKSe, e SIM sintaSSe), que estabelece as relações de combinação (ordenação, dependência e concordância) entre as palavras. Quando dizemos algo, as palavras ditas precisam estar bem dispostas na frase para fazer sentido, e o interlocutor compreender corretamente, por isso a sintaxe é importante. Ela é um instrumento essencial para o manuseio satisfatório das múltiplas possibilidades que existem para combinar palavras e orações. Está parecendo complicado, mas não é tanto assim. E a Análise Sintática serve para 'dividir' as palavras na frase e entender suas funções, ou seja, analisá-las (óbvio!).

Precisamos saber que só podemos analisar sintaticamente ORAÇÕES. Aí você pensa: 'Oração? Tem algo a ver com religião? O que é isso? Se só podemos analisar orações, é porque há outra coisa.' Vamos, igual ao Jack Estripador, por partes (pegou a piada? Péssima, né?): Existem as FRASES e as ORAÇÕES. Frases são todo enunciado com sentido completo, podendo ter uma ou mais palavras. Se ela não possuir verbo, chamamo-la de Frase Nominal. Por exemplo:
Silêncio!
Oi para todos!
Se ela possuir verbo, ela vai se chamar Frase Verbal ou... Oração! Percebeu? Apenas frases com verbos podem ser analisados sintaticamente. Exemplos:
Vamos embora daqui!
Joana quer ir no banheiro.
Eu sou um idiota.
Agora, vamos falar da Análise Sintática propriamente dita: toda oração possui dois termos essenciais: o SUJEITO e o PREDICADO. O sujeito é o termo (palavra ou conjunto de palavras) da oração que designa o ser a respeito do qual se declara alguma coisa, ou seja, do quê ou de quem estamos falando. E predicado é a parte que contém o que se declara a respeito do sujeito, ou seja, o resto. É só achar o sujeito, o resto é o predicado (nele que o verbo está). Mas como se acha o sujeito? Simples: encontre o verbo e pergunte para ele: quem? ou o que é quê? A resposta é o sujeito. Exemplos?
Todos os políticos brasileiros são honestos.
Quem são honestos? Sujeito: Todos os políticos brasileiros. Predicado: são honestos

Não existe corrupção no Brasil.
O que é que não existe no Brasil? Sujeito: corrupção. Predicado: Não existe [...] no Brasil
Simples, né? Vamos nos aprofundar mais nos próximos posts.

Obrigado por ler!
James Juice